Category Archives: Jornalismo Especializado

Vigilantes de redes sociais

Os jornalistas especializados em desporto vivem, diariamente, um enorme drama: ter de fazer notícias sem sequer pôr olhos em cima dos protagonistas. Os clubes de futebol, e as respectivas equipas, vivem, cada vez mais, numa espécie de clausura conventual imposta pelas políticas de comunicação altamente restritiva dos clubes.

É por isso que hoje os jornalistas têm de vestir o fato de vigilantes de redes sociais à procura de discursos directos. O director de A Bola, Vítor Serpa, explica todo o processo (ver abaixo). 

Jornal A Bola, edição de 15 de Fevereiro de 2014, página 30, crónica «Hoje é Sábado».

Jornal A Bola, edição de 15 de Fevereiro de 2014, página 30, crónica «Porque hoje é Sábado».

Jornalismo com bolinha vermelha

O espanhol Mediterráneo Digital, que se define como «independente e politicamente incorrecto», publicou, na sua página oficial no facebook, um anúncio de emprego, no mínimo, original para o sector da informação.

Os critérios para o recrutamento do título, que publica edições em Madrid e na Catalunha, são, maioritariamente (ou exclusivamente),….estéticos!

«Eres joven? ¿Eres periodista? Te consideras sexy? Te gusta el deporte? Ponte en contacto con Mediterráneo Digital! Abrimos #CastingReporteras».

Choveram acusações de sexismo e machismo, ainda que, nas 48 horas seguintes à publicação do edital, tenham caído, na caixa de correio do Mediterráneo Digital, mais de 100 candidaturas. Um verdadeiro caso de estudo de abordagem à profissão.

Vanessa Blanco - Nueva reportera de Mediterráneo Digital

Via Clases de Periodismo

Futre reforça Record

O antigo internacional português Paulo Futre, provavelmente o mais mediático dos comentadores de futebol, deixou o jornal A Bola e mudou-se para o principal adversário:o Record.

O antigo jogador de SportingPorto e Benfica inicia a nova aventura a 26 de Janeiro e todos os domingos assinará uma página sobre a actualidade desportiva, nacional e internacional, e os temas quentes da semana. Além disso, terá, também, o seu programa semanal no cabo: duas horas em direto, ao lado de Nuno Graciano, na CMTV.

Em menos de um mês, esta é a terceira aquisição do desportivo do grupo Cofina, depois de Rui Malheiro e Bruno Prata já  terem reforçado os quadros do título dirigido por João Querido Manha.

Em sentido inverso, «A Bíblia do Desporto» continua a ser ultrapassada pela concorrência e não terá sido por mero acaso que ficou sem dois dos principais rostos da sua opinião: Luís Freitas Lobo, um dos melhores analistas de futebol da actualidade, e, agora, Paulo Futre, um contador de histórias por excelência que, ainda por cima, era o rosto de um dos programas mais importante de A Bola TV: o Footbola!

Desportivos posicionam-se

Rui Malheiro e Bruno Prata novos colunistas de Record

Em ano de Campeonato do Mundo de futebol, agendado para o início do Verão no Brasil, os jornais especializados não perderam tempo e apresentaram reforços de peso na reabertura do mercado de Janeiro.

O Record, que mudou, recentemente, a sua cúpula directiva com as entradas de João Querido Manha (director) e António Tadeia (Director Adjunto), contratou Bruno Prata, antigo editor de desporto do Público e comentador residente da RTP, e Rui Malheiro, especialista em futebol internacional que conta com colaborações importantes para vários técnicos portugueses (Paulo Sousa ou Fernando Santos), como novos rostos da opinião do diário do grupo Cofina.

O Jogo também apostou forte e promoveu o regresso de Luís Freitas Lobo, provavelmente o mais mediático dos comentadores de futebol, ao título do grupo Controlinveste. Freitas Lobo terá a responsabilidade de assinar quatro páginas semanais: duas à Quinta-feira com incidência no campeonato português e outras tantas ao Domingo com histórias, curiosidade e análises ao futebol internacional.

Estranhamente, o jornal A Bola não ofereceu nenhuma prenda aos leitores e parece ter sido facilmente ultrapassado pela concorrência a menos de seis meses para pontapé de saída do Brasil 2014. Só o tempo dirá se o título de «a bíblia do desporto» chega para manter o estatuto de um dos desportivos mais importantes do país.

O entupimento das televisões

As televisões portuguesas – todas, sem excepção – viveram o desaparecimento de Eusébio da Silva Ferreira com uma intensidade assinalável, bem patente, aliás, na reformatação das respectivas grelhas de programação  que tinha como objectivo oferecer, a quem acompanhava à distância, todos os pormenores das cerimónias fúnebres do ‘Pantera Negra’.

Aquilo que seria uma atenção mediática especial, totalmente justificável, transformou-se num chorrilho de directos sem sentido, entrelaçados com debates desorientados e imagens da vida de Eusébio repetidas até à exaustão.

Toda a gente exibiu a receita e pões-se de lado o resto da actualidade. Resultam, precisamente daqui, dois textos interessantíssimos sobre as opções das televisões portuguesas que podem (e devem) ser vistos como uma espécie de guia para o que não se deve voltar a repetir.

«Dir-se-ia que os responsáveis de emissão não se apercebem da cacofonia que representa para os telespectadores em geral terem todos os canais, durante um dia inteiro (e amanhã se verá) a ouvir o mesmo dito pelos mesmos».

Disponível em:  Sobre as televisões, na morte de Eusébio

«Foram directos sobre directos, com muitas lágrimas, muita comoção e muitas opiniões sem interesse nenhum, ou repetições de imagens e declarações que os portugueses puderam ver em doses cavalares ao longo de horas e horas, fazendo de Eusébio um homem único sem o qual Portugal não teria existido. E transformando todos os canais numa espécie de “Benfica TV”».

Disponível em:  A morte de Eusébio e a informação televisiva

O dia em que os desportivos viveram (quase) sem futebol

http://noticias.sapo.pt/banca/desporto/4137

http://noticias.sapo.pt/banca/desporto/4137

http://noticias.sapo.pt/banca/desporto/4139

http://noticias.sapo.pt/banca/desporto/4139

http://noticias.sapo.pt/banca/desporto/4138

http://noticias.sapo.pt/banca/desporto/4138

Incoerências

Parece contraditório, e até algo estranho, que os generalistas consigam dar mais destaque à vitória do ciclista português Rui Costa, na 16ª etapa da 100ª edição da Volta à França, do que, propriamente, os três desportivos (A Bola, ainda assim, foi o menos mau) que têm óbvias responsabilidades na matéria.

Argumentarão, alguns, que se trata de uma escolha meramente comercial que compreende, por parte dos generalistas, o «aproveitamento» do feito do ciclista da Movistar para chamar a si a camada mais afecta às questões desportivas, enquanto para os especializados o futebol será sempre o produto mais rentável. Mesmo que o triunfo de Rui Costa, na mais importante prova do ciclismo do Mundo, esteja a competir com uma partida de cariz amigável frente a um adversário com pouca expressão no futebol mundial? Muito estranho mesmo….

Jornais 17-07-2013

Os jornais e as relações públicas

A primeira página de hoje do jornal A Bola foi, seguramente, concebida com o objectivo de conciliar dois pilares fundamentais: a componente informativa – com a confirmação de um «furo» publicado na edição de ontem (anúncio de Bruno Cortez como reforço do Benfica) –  e a valorização da  imagem institucional através de uma mini-campanha de relações públicas (ver imagem).

osdia/pagina.html

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Corte e costura

O Correio da Manhã transcreveu, nas suas duas edições (impressa e online), a entrevista exclusiva que Jorge Jesus concedeu à Benfica TV, apresentada por José Eduardo Moniz, e que o diário da Cofina identificou como sua.

Plágio, lapso ou procedimento comum no noticiário desportivo, o processo está longe de ser consensual.

Diário de Notícias, 6 de Julho de 2013, secção Media, página 43

Diário de Notícias, 6 de Julho de 2013, secção Media, página 43

Jornalismo corporativo

O Benfica TV, canal tutelado pelo Sport Lisboa e Benfica registado na ERC, fez história no jornalismo especializado ao emitir uma entrevista ao treinador Jorge Jesus conduzida por José Eduardo Moniz que, ao que parece, acumula o cargo de jornalista (Carteira Profissional 171) com o de administrador da SAD encarnada, tornando-se numa espécie de personagem com dupla personalidade que confunde a audiência.

De qualquer forma, ainda que se assuma que as perguntas foram formuladas pelo «jornalista» José Eduardo Moniz, ninguém acredita que a conversa não tenha sido, previamente, passada a pente fino pelo gabinete de comunicação encarnado. Afinal de contas, antes de fazer jornalismo, o Benfica TV preocupa-se em disseminar propaganda institucional. O principal motivo da existência do canal.

Opinião de José Manuel Ribeiro, director de o Jogo: “A caminhada triunfal de Jesus

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