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Pingo Doce desinveste e troca TV por rádio

Semanário Expresso, edição de 1 de Fevereiro, caderno de Economia, página 22

Semanário Expresso, edição de 1 de Fevereiro, caderno de Economia, página 22

Depois de vários anos a investir em campanhas publicitárias agressivas, nomeadamente nos canais televisivos, a Jerónimo Martins (JM) alterou a sua estratégia comercial e desinvestiu consideravelmente. Tanto que, actualmente, já nem consta do top 10 dos anunciantes (ver gráfico), anuncia a Carat.

Durante todo o ano de 2013 o grupo detentor da cadeira de supermercados Pingo Doce só (!) investiu 10 milhões de euros, significativamente menos que os outros competidores do mercado: Continente (líder destacado da tabela de investimento publicitário), Lidl e Minipreço.

A tendência de desinvestimento publicitário do Pingo Doce acentuou-se, sobretudo, em 2012, quando o seu orçamento para publicidade foi reduzido para metade (. No ano seguinte seguiu-se um corte ainda mais significativo, agora na ordem dos 75%.

Curioso é, também, perceber que, depois de cinco anos a canalizar grande parte da sua fatia orçamental para a TV, em 2013 apenas 6,5% foram investidos neste canal, verificando-se, agora, uma grande aposta na rádio, responsável por quase três terços da aposta da Jerónimo Martins.

Manchester: o pólo de criatividade digital

Disponível em: A classe e a modernidade do “Made in England”

O entupimento das televisões

As televisões portuguesas – todas, sem excepção – viveram o desaparecimento de Eusébio da Silva Ferreira com uma intensidade assinalável, bem patente, aliás, na reformatação das respectivas grelhas de programação  que tinha como objectivo oferecer, a quem acompanhava à distância, todos os pormenores das cerimónias fúnebres do ‘Pantera Negra’.

Aquilo que seria uma atenção mediática especial, totalmente justificável, transformou-se num chorrilho de directos sem sentido, entrelaçados com debates desorientados e imagens da vida de Eusébio repetidas até à exaustão.

Toda a gente exibiu a receita e pões-se de lado o resto da actualidade. Resultam, precisamente daqui, dois textos interessantíssimos sobre as opções das televisões portuguesas que podem (e devem) ser vistos como uma espécie de guia para o que não se deve voltar a repetir.

«Dir-se-ia que os responsáveis de emissão não se apercebem da cacofonia que representa para os telespectadores em geral terem todos os canais, durante um dia inteiro (e amanhã se verá) a ouvir o mesmo dito pelos mesmos».

Disponível em:  Sobre as televisões, na morte de Eusébio

«Foram directos sobre directos, com muitas lágrimas, muita comoção e muitas opiniões sem interesse nenhum, ou repetições de imagens e declarações que os portugueses puderam ver em doses cavalares ao longo de horas e horas, fazendo de Eusébio um homem único sem o qual Portugal não teria existido. E transformando todos os canais numa espécie de “Benfica TV”».

Disponível em:  A morte de Eusébio e a informação televisiva

Imperativo tecnológico

A minissérie britânica Black Mirror, disponível em Portugal desde Novembro nos canais MOV e TV Séries, retrata uma sociedade inteiramente dependente das novas tecnologias e incapaz de regressar à terra para viver em modo offline.

Criada por Charlie Brooker, com participação de Konnie Huq e Jesse Armstrong, Black Mirror desperta-nos a necessidade de reflexão sobre a forma como a tecnologia se assenhoriou do  quotidiano e transformou a nossa forma de relacionamento.

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Não há audiência

As televisões e os jornais estão a perder audiência. O perfil etário do consumidor de produtos televisivos situa-se, actualmente, entre os 40 e os 50 anos. A tendência indica um agravamento destes dados ao longo dos próximos anos, perspectivando-se que, a partir de 2015, metade de toda a plateia se situe acima dos 50 anos. Números preocupantes para as  grupos de media que continuam a não conseguir captar eleitorado mais jovem.

Para ler aqui: No new TV viewers or newspaper subscribers are being born

Via António Granado

A origem do tablóidismo britânico

O antigo editor do News of the World e do Daily Mirror, Piers Morgan, encabeça a produção de uma série televisiva que incidirá sobre o mundo do jornalismo de tablóide na década de 70.

Fleet Streetrua onde estiveram sediadas, até à década de 80, as redacções dos principais jornais ingleses (entre eles os tablóides) – relata o surgimento do jornalismo popular moderno, cuja génese remonta à acção de profissionais desprovidos de moral que expunham a vida de milionários, políticos e celebridades envolvidos com drogas e/ou escândalos sexuais.

Para ler aqui: Oh no! Piers Morgan to produce ‘devastating’ Fleet Street TV series

Jornalismo corporativo

O Benfica TV, canal tutelado pelo Sport Lisboa e Benfica registado na ERC, fez história no jornalismo especializado ao emitir uma entrevista ao treinador Jorge Jesus conduzida por José Eduardo Moniz que, ao que parece, acumula o cargo de jornalista (Carteira Profissional 171) com o de administrador da SAD encarnada, tornando-se numa espécie de personagem com dupla personalidade que confunde a audiência.

De qualquer forma, ainda que se assuma que as perguntas foram formuladas pelo «jornalista» José Eduardo Moniz, ninguém acredita que a conversa não tenha sido, previamente, passada a pente fino pelo gabinete de comunicação encarnado. Afinal de contas, antes de fazer jornalismo, o Benfica TV preocupa-se em disseminar propaganda institucional. O principal motivo da existência do canal.

Opinião de José Manuel Ribeiro, director de o Jogo: “A caminhada triunfal de Jesus

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Noticiários de problemas

Retrato do estado das televisões portuguesas e os pecados dos noticiários.

“Quanto à informação, a situação é inacreditável, com a duração excessiva dos telejornais. A hierarquização desprovida de bom senso. E a apresentação por vezes por gente que não passaria numa televisãozita local da Europa do centro-norte”.

Disponível em: ESTE AUDIOVISUAL TÃO SINGULAR

Sexo em vez de sucesso valeu despedimento

Uma troca de palavras (prontamente corrigida), de fonética semelhante, valeu o despedimento à jornalista especializada em desporto do SportsNet Susannah Collins.

Mais um caso insólito depois de, há algumas semanas, o apresentador A. J. Clemente não ter passado do primeiro dia à frente das câmaras da KFYR-TV North Dakota’s NBC News Leader.

 

Curso intensivo de jornalismo

A série Jornalistas (Reporters), transmitida em Portugal pelo AXN Black,  é um verdadeiro curso intensivo de jornalismo. Centrada no quotidiano de um canal de televisão e de um jornal (à moda antiga) parece ter, por trás, a orientação de alguém que passou muito tempo em redacções porque não deixa nada ao acaso: desde a figura do director, que vive emparedada entre o  semblante austero e a postura paternal com que dirige a redacção; passando pelos (bons) jornalistas à moda antiga, autênticos Sherlock Holmes em vias de extinção, envoltos em guerras constantes pelos melhores cargos; até aos estagiários cheios de ganas de triunfar, mas vazios de conteúdo.

Há ainda espaço os compadrios entre jornalistas e classe política, que tanto condicionam a agenda mediática, e para a aposta no digital, sem critério nem princípios informativos.

Rigorosamente a não perder.