Category Archives: Imprensa

Não há audiência

As televisões e os jornais estão a perder audiência. O perfil etário do consumidor de produtos televisivos situa-se, actualmente, entre os 40 e os 50 anos. A tendência indica um agravamento destes dados ao longo dos próximos anos, perspectivando-se que, a partir de 2015, metade de toda a plateia se situe acima dos 50 anos. Números preocupantes para as  grupos de media que continuam a não conseguir captar eleitorado mais jovem.

Para ler aqui: No new TV viewers or newspaper subscribers are being born

Via António Granado

Incoerências

Parece contraditório, e até algo estranho, que os generalistas consigam dar mais destaque à vitória do ciclista português Rui Costa, na 16ª etapa da 100ª edição da Volta à França, do que, propriamente, os três desportivos (A Bola, ainda assim, foi o menos mau) que têm óbvias responsabilidades na matéria.

Argumentarão, alguns, que se trata de uma escolha meramente comercial que compreende, por parte dos generalistas, o «aproveitamento» do feito do ciclista da Movistar para chamar a si a camada mais afecta às questões desportivas, enquanto para os especializados o futebol será sempre o produto mais rentável. Mesmo que o triunfo de Rui Costa, na mais importante prova do ciclismo do Mundo, esteja a competir com uma partida de cariz amigável frente a um adversário com pouca expressão no futebol mundial? Muito estranho mesmo….

Jornais 17-07-2013

Tablets igualam jornais

Conclusões do relatório Word Press Trends (empresa que estuda a audiência da imprensa a nível mundial):

 a) Nos Estados Unidos, em França e na Alemanha os consumidores já gastam o mesmo tempo a ler notícias tanto na versão imprensa com na versão digital;

b) 20 % dos acessos a portais noticiosos são já feitos a partir de dispositivos móveis;

c) Os anúncios registaram uma quebra de 2% em 2012;

d) A circulação de jornais caiu 1% em todo o Mundo no ano passado (Na América do Norte as perdas foram de 6,6%, enquanto na Europa Ocidental foram de 5,3%. Asia (+1,2%), América do Sul (+ 0,1%) e Austrália (+3,5%) salvaram a honra do convento;

Relatório completo disponível em: WORLD PRESS TRENDS: INCREASING AUDIENCE ENGAGEMENT IS FUTURE FOR NEWS MEDIA

Imprensa diária ainda faz sentido?

Semanário Expresso, 23 de Março de 2013

Semanário Expresso, 23 de Março de 2013

Curso intensivo de jornalismo

A série Jornalistas (Reporters), transmitida em Portugal pelo AXN Black,  é um verdadeiro curso intensivo de jornalismo. Centrada no quotidiano de um canal de televisão e de um jornal (à moda antiga) parece ter, por trás, a orientação de alguém que passou muito tempo em redacções porque não deixa nada ao acaso: desde a figura do director, que vive emparedada entre o  semblante austero e a postura paternal com que dirige a redacção; passando pelos (bons) jornalistas à moda antiga, autênticos Sherlock Holmes em vias de extinção, envoltos em guerras constantes pelos melhores cargos; até aos estagiários cheios de ganas de triunfar, mas vazios de conteúdo.

Há ainda espaço os compadrios entre jornalistas e classe política, que tanto condicionam a agenda mediática, e para a aposta no digital, sem critério nem princípios informativos.

Rigorosamente a não perder.

A pior profissão do Mundo

Diário de Notícas, 26 de Abril de 2013, página 50, secção DNMedia

Diário de Notícas, 26 de Abril de 2013, página 50, secção DNMedia

O Carrer Cast catalogou o repórter de imprensa como a pior profissão do Mundo, numa listagem em que foram considerados os critérios: salário, nível de stress, prazos, competitividade, risco de vida, exposição ao público, ambiente de trabalho, exigência física além da emocional e probabilidade de contratação.

“O trabalho de repórter de imprensa perdeu o seu brilho nos últimos cinco anos e deverá estar extinto até 2020. O modelo do jornalismo impresso não é sustentável” , Paul Gillin (especialista em media)

Publicidade massiva

Campanha Vodafone - Red

A Vodafone pintou, hoje, toda a imprensa de vermelho (ver foto) numa acção promocional de apresentação no seu novo tarifário RED e que resultou num investimento de 14 milhões de euros.

Do lado da marca o timing foi perfeito. Ao ponto de ter sido conotada  por pessoas menos atentas, com a morte de Hugo Chávez. Para os jornais acaba por ser uma lufada de ar fresco numa altura em que os media se debatem com grandes fragilidades económicas e financeiras.

No entanto, esta situação levanta uma questão pertinente: estarão os jornais a rebaixar-se a interesses comerciais, num acto desesperado de sobrevivência, perdendo a  independência necessária para desempenharem bem as suas funções?

A ditadura do futebol

Publico - Sara Moreira

A Bola - Sara Moreira

Sara Moreira - Record

O Jogo - Sara Moreira

A atleta portuguesa Sara Moreira sagrou-se, Domingo (3 de Março 2013) campeã europeia dos 3000 metros em pista coberta em Gotemburgo. A vitória conquistado pela atleta do Maratona foi, inclusivamente, a única medalha de ouro alcançada por Portugal em toda a competição. Estavam, desta forma, reunidas todas as condições para uma cobertura mediática relevante (que, de facto, aconteceu).

Ainda assim, não deixa de ser interessante comparar a forma como os desportivos noticiaram o feito alcançado pela atleta natural de Santo Tirso nas suas primeiras páginas, em contraponto com o destaque atribuído pelo Público (que tem, obviamente, obrigações diferentes nesta matéria).

Poder-se-á dizer que Sara Moreira teve contra o si o facto de, no mesmo dia, o Benfica (clube com mais adeptos em Portugal) ter vencido o Beira-Mar e se ter isolado na liderança da tabela classificativa.

Contudo, é igualmente válido o argumento que defende que uma medalha de ouro é, por si só, mais relevante do que uma vitória sobre um adversário que está a 37 pontos de distância. Existem, seguramente, mais pontos de vista, assentes, por exemplo, em critérios editoriais, comerciais ou que ressalvam aspectos culturais inerentes a um país onde se respira futebol por todos os poros.

Seja como for, é evidente que Público e desportivos têm visões antagónicas sobre o assunto: a medalha de Sara Moreira é, para o generalista, incomparavelmente mais importante, enquanto a vitória do Benfica empurra o triunfo da portuguesa para as margens das primeiras páginas dos desportivos.

Conclui-se, então, sem pingo de surpresa, que os desportivos são, na sua essência, jornais que incidem actualidade futebolística rematados com pinceladas sobre modalidades. Ao invés, o Público assume-se, verdadeiramente, como generalista, reconhece o éxito e da-lhe destaque central. Quid juris

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Jornalismo de corte e costura

As redes sociais são, actualmente, uma ferramenta indispensável para os jornalistas. Funcionam como uma espécie de quintal onde, mediante uma boa rede de contactos, se pode “colher” depoimentos, fotografias ou vídeos de perfis com visibilidade mediática.

É cada vez menos comum alguém estar totalmente desligado da corrente (offline). Acima de tudo, porque estas plataformas permitem interagir com um núcleo vasto (interminável) de indivíduos, sem custos directos e, mais importante, de forma instantânea.

É o sonho das marcas e das “vedetas” que encaram as redes sociais como um oasis de seguidores para quem partilham conteúdos em troca de uma centenas de “gostos” ou “comentários”.

Não estranha, por isso, que os jornalistas alimentem (e bem) os  media com recortes destas plataformas. Ainda assim, o recurso a estes meios deve ser um princípio e não um fim em sim mesmo.

Ou seja, como se ensina nos bancos das universidades, toda a informação carece de confirmação. Caso contrário, origina-se um caso de intoxicação informativa. (como sucedeu esta semana).

Salim Baungally, jornalista e apresentador da L Équipe TV, escreveu na sua página do twitter o seguinte: “Yo también meteria 90 goles se me regalaran penaltis como los arbitros relagan al Barça”, Zlatan Ibrahimovic.

Talvez impulsionados pela (aparente) credibilidade da fonte, toda a gente publicou a notícia que esteve em destaque nas edições online dos diversos órgão de informação (ver aqui).

Algumas horas depois, Miki Soria, jornalista do Sport (jornal com ligações ao Barcelona), deu-se ao trabalho de confirmar a citação, (sem espanto) verificou que era falsa e publicou no seu perfil: “Por si alguien aún no lo sabe, las declas de Ibrahimovic atacando a Messi tras su récord son falsas (aunq muchos medios lo hayan publicado)”.

Começaram, então, a chover desmentidos (como este), onde constava esta citação de Salim Baungally: “Je m’excuse si l’ironie n’a pas été compris dans mon propos sur Zlatan et les 90 buts, je me suis imaginé être à sa place…”.

Ninguém, no entanto, acusou o toque e fez meia culpa. É que, neste caso, não há réus: nem emissor nem difusores. Ser jornalista é muito mais do que fazer corte e costura. É fundamental contrapor, verificar, perguntar.

Por tudo isto, a publicação deve ser o último dos passos. Quando não o é todo o ciclo fica de pantanas.

Into­xi­ca­ção infor­ma­tiva

Durante a noite de ontem chegou ao Diário de Notícias da Madeira uma dica que apontava no sentido de antigo secretário regional do Equipamento Social da Madeira, Luís Santos Costa, ter sido detido pela Polícia Judiciária.

Tomando essa fonte por segura (e aparentemente será), o título, propriedade da Controlinveste, accionou, desde logo, diversos mecanismos para confirmar a sua autenticidade e, caso se verificasse, avançar para publicação.

A informação chegou à RTP (não pela mesma fonte mas por um elo comum) que, através do seu canal informativo, avançou para um directo (cheio de nada), nitidamente na ânsia de dar a notícia em primeira mão.

A partir daqui desencadeou-se o efeito corrente: o DN Madeira não esperou pela confirmação e postou no online, da mesma forma como fizeram a Rádio Renascença (ver aqui), o Diário de Notícias, etc., etc., etc., sem (aparentemente) se darem ao trabalho de cruzar a informação.

Resultado: a) o visado não estava detido (ao que parece estava por casa a assistir ao directo da RTP Informação); b) alguns optaram por eliminar a notícia das suas edições online; c) outros limitaram-se a colocar o desmentido (como se pode ver aqui)

Moral da história: O circuito informativo deve obedecer aos seguintes critérios: recepção da informação – análise e tratamento dos dados – confirmação ou cruzamento de fontes – publicação. Saltando algum destes passos, a predisposição ao erro é consideravelmente maior.