Category Archives: Estrangulamento Financeiro

Paywalls não vão salvar jornais

Más notícias para os defensores das paywalls como poção mágica capaz de resolver as dificuldades financeiras que envolvem a (grande) maioria dos jornais. Um artigo de Tim Burrowes, publicado pelo observatório de Marketing e Media «Mumbrella», coloca um ponto final na ambição de salvar os jornais com as assinaturas digitais.

As conclusões do estudo resultam da análise ao mercado australiano que «apenas» conseguiu cativar 60000 utilizadores pagantes. Como seria, por exemplo, em Portugal?

Disponível em: The data is finally in. Newspapers aren’t going to get enough digital subscribers

@Via Pedro Jerónimo

Director do Libération demite-se

O director do LibérationNicolas Demorand, anunciou, esta quinta-feira, a sua demissão na sequência de vários meses de tensões com a redacção, que lhe valeram, inclusivamente, quatro moções de censura. O cenário tornou-se insustentável depois da tomada de posição dos trabalhadores que recusaram, liminarmente, o plano de reestruturação apresentado pelos accionistas.

Num email enviado à redacção, Demorand diz esperar que a sua saída facilite o diálogo entre jornalistas e administração para que o jornal francês, que este ano assinala o 40.º aniversário, possa encontrar o seu caminho.

«Chers tous, ce mail pour vous prévenir que j’ai démissionné ce matin. J’espère de tout cœur que mon départ facilitera le dialogue qui doit être renoué pour sortir le journal de la crise qu’il traverse. J’ai passé à vos côtés trois années enrichissantes, enthousiasmantes et parfois rudes. Je ne les oublierai pas. Je vous souhaite le meilleur. Amitiés»

Disponível em: Nicolas Demorand démissionne de la présidence de «Libération»

«Somos um jornal»

Libération, edição de 8 de Fevereiro de 2014

Libération, edição de 8 de Fevereiro de 2014

Os jornalistas do francês Libération deram um murro na mesa e insurgiram-se contra as intenções dos accionistas que pretendem transformar a redacção do órgão de comunicação social, que este ano comemora 40 anos de existência, numa espécie de espaço cultural e social.

Ao longo de cinco páginas são apresentadas as propostas da nova estrutura accionista, bem como a resposta da equipa de 290 trabalhadores ao projecto de remodelar a sede do jornal em Paris.

Apesar da greve que os trabalhadores cumpriram na última quinta-feira, o novo grupo detentor do título já apresentou o programa de mudança do jornal e pretendem instalar «um espaço cultural, uma área de conferências com estúdio de televisão, uma rádio, uma redacção digital, um restaurante, um bar e até uma incubadora de start up».

Disponivel em: «Nous Sommes un jornal»

Pingo Doce desinveste e troca TV por rádio

Semanário Expresso, edição de 1 de Fevereiro, caderno de Economia, página 22

Semanário Expresso, edição de 1 de Fevereiro, caderno de Economia, página 22

Depois de vários anos a investir em campanhas publicitárias agressivas, nomeadamente nos canais televisivos, a Jerónimo Martins (JM) alterou a sua estratégia comercial e desinvestiu consideravelmente. Tanto que, actualmente, já nem consta do top 10 dos anunciantes (ver gráfico), anuncia a Carat.

Durante todo o ano de 2013 o grupo detentor da cadeira de supermercados Pingo Doce só (!) investiu 10 milhões de euros, significativamente menos que os outros competidores do mercado: Continente (líder destacado da tabela de investimento publicitário), Lidl e Minipreço.

A tendência de desinvestimento publicitário do Pingo Doce acentuou-se, sobretudo, em 2012, quando o seu orçamento para publicidade foi reduzido para metade (. No ano seguinte seguiu-se um corte ainda mais significativo, agora na ordem dos 75%.

Curioso é, também, perceber que, depois de cinco anos a canalizar grande parte da sua fatia orçamental para a TV, em 2013 apenas 6,5% foram investidos neste canal, verificando-se, agora, uma grande aposta na rádio, responsável por quase três terços da aposta da Jerónimo Martins.

O futuro dos media e do jornalismo

O futuro dos media é tecnológico

Afinal, o estrangulamento económico e financeiro que aflige os media noticiosos ainda não atingiu o clímax. A opinião é de Frédéric Filloux que antecipa um agravamento do cenário fruto do contínuo afrouxamento do mercado publicitário que tirará de circulação mais alguns títulos.

Ainda assim, nem tudo é negro. Ao ler o texto assinado pelo director-geral para as operações digitais da Les Echos, o maior grupo de media francês, já se espreita uma luz ao fundo do túnel, perspectivando melhorias resultantes, entre outros factores, do aparecimento de novas estratégias publicitárias e da implementação da política do pay-per-view. 

http://www.mondaynote.com/wp-content/uploads/2014/01/303-J-curve.png?d81f8f

http://www.mondaynote.com/wp-content/uploads/2014/01/303-J-curve.png?d81f8f

«2014 will be the year of media companies realizing they must morph into technology companies — or embrace, one way another, the technologies that guarantee their survival».

Disponível em: Surviving 2014

O malabarismo das pressões

O Banco Espírito Santo não gostou que o jornal I andasse a escarafunchar vários processos que envolvem altos quatros do grupo e reagiu de forma grosseira tentando lembrar que é um dos principais suportes dos jornais portugueses.

É mais que sabido que o mercado publicitário está em queda e que o I, desde a sua fundação, tem passado por sucessivas remodelações que levaram à mudança de mãos, no ano passado, e à dispensa recente de vários profissionais .

Apesar de estar e encarar um dos grandes clientes dos media portugueses, o I não se encolheu sustentando a sua posição com as responsabilidades editoriais que tem para com os leitores.

A escolha era simples: ou salvaguardavam-se algumas páginas de publicidade e atirava-se a «estória» para debaixo da secretária, ou prevalecia a ligação de confiança com que todos os dias compra o jornal.

Prevaleceu a segunda opção com óbvio prejuízo para as finanças da empresa. Ainda assim, manteve-se o eleitorado fiel. E é ele o principal activo de qualquer projecto de media.

A direcção do jornal i não se deixa intimidar com o poder económico e publicitário do BES e continuará a garantir o direito de informar e a acompanhar toda a informação que os seus jornalistas recolham com profissionalismo, isenção e respeito pelo nosso código deontológico

Nota da direcção do jornal I: O BES não pode esperar que os jornalistas deixem de exercer a sua profissão

Plágio: a praga do jornalismo contemporâneo

Jornal Público, edição de Terça-feira, 24 de Setembro, de 2013

Jornal Público, edição de Terça-feira, 24 de Setembro, de 2013

Cultura doentia

O britânico Right Honourable Lord Justice Leveson (título oficial) produziu um relatório devastador – publicado há duas semanas e totalmente acessível online - que caracteriza o momento em que o jornalismo ultrapassou todos os limites legais e éticos, dando origem a uma cultura profissional doentia e incontrolável.

Produzido no Reino Unido, o fenómeno não é exclusivo nem está confinado a sectores dos tablóides britânicos, abalados, recentemente, pelo escândalo do News of the World de Murdoch. Retrata uma ameaça global e isso é muito mais preocupante.

“A liderança a todo o custo provoca, obviamente, por parte da cadeia hierárquica e de decisão das empresas de media, uma concentração em histórias sensacionalistas, que exigem, na maior parte das vezes, a revelação de pormenores privados e até íntimos” .

Disponível em: An Inquiry into the Culture, Practices and Ethics of the Press:

Imprensa diária ainda faz sentido?

Semanário Expresso, 23 de Março de 2013

Semanário Expresso, 23 de Março de 2013