Category Archives: Imprensa Desportiva

O jornalismo desportivo em ano de Mundial

O Código Cambridge, um laboratório de estudos que incide a sua atenção sobre os media desportivos, lançou o livro digital «El periodismo deportivo en año mundialista».

A iniciativa reúne os depoimentos de 14 jornalistas especializados em desporto e pretende alertar para os desafios da profissão no ano em que o Mundo estará, seguramente, com olhos no Mundial de Futebol que se realiza no início de Verão no Brasil.

Download gratuito:“EL PERIODISMO DEPORTIVO EN AÑO MUNDIALISTA”

Futre reforça Record

O antigo internacional português Paulo Futre, provavelmente o mais mediático dos comentadores de futebol, deixou o jornal A Bola e mudou-se para o principal adversário:o Record.

O antigo jogador de SportingPorto e Benfica inicia a nova aventura a 26 de Janeiro e todos os domingos assinará uma página sobre a actualidade desportiva, nacional e internacional, e os temas quentes da semana. Além disso, terá, também, o seu programa semanal no cabo: duas horas em direto, ao lado de Nuno Graciano, na CMTV.

Em menos de um mês, esta é a terceira aquisição do desportivo do grupo Cofina, depois de Rui Malheiro e Bruno Prata já  terem reforçado os quadros do título dirigido por João Querido Manha.

Em sentido inverso, «A Bíblia do Desporto» continua a ser ultrapassada pela concorrência e não terá sido por mero acaso que ficou sem dois dos principais rostos da sua opinião: Luís Freitas Lobo, um dos melhores analistas de futebol da actualidade, e, agora, Paulo Futre, um contador de histórias por excelência que, ainda por cima, era o rosto de um dos programas mais importante de A Bola TV: o Footbola!

O que é que está errado?

Primeiras páginas no dia seguinte à eleição de Cristiano Ronaldo como melhor jogador do Mundo para a FIFA

Primeiras páginas no dia seguinte à eleição de Cristiano Ronaldo como melhor jogador do Mundo para a FIFA

Desportivos posicionam-se

Rui Malheiro e Bruno Prata novos colunistas de Record

Em ano de Campeonato do Mundo de futebol, agendado para o início do Verão no Brasil, os jornais especializados não perderam tempo e apresentaram reforços de peso na reabertura do mercado de Janeiro.

O Record, que mudou, recentemente, a sua cúpula directiva com as entradas de João Querido Manha (director) e António Tadeia (Director Adjunto), contratou Bruno Prata, antigo editor de desporto do Público e comentador residente da RTP, e Rui Malheiro, especialista em futebol internacional que conta com colaborações importantes para vários técnicos portugueses (Paulo Sousa ou Fernando Santos), como novos rostos da opinião do diário do grupo Cofina.

O Jogo também apostou forte e promoveu o regresso de Luís Freitas Lobo, provavelmente o mais mediático dos comentadores de futebol, ao título do grupo Controlinveste. Freitas Lobo terá a responsabilidade de assinar quatro páginas semanais: duas à Quinta-feira com incidência no campeonato português e outras tantas ao Domingo com histórias, curiosidade e análises ao futebol internacional.

Estranhamente, o jornal A Bola não ofereceu nenhuma prenda aos leitores e parece ter sido facilmente ultrapassado pela concorrência a menos de seis meses para pontapé de saída do Brasil 2014. Só o tempo dirá se o título de «a bíblia do desporto» chega para manter o estatuto de um dos desportivos mais importantes do país.

O dia em que os desportivos viveram (quase) sem futebol

http://noticias.sapo.pt/banca/desporto/4137

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http://noticias.sapo.pt/banca/desporto/4139

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http://noticias.sapo.pt/banca/desporto/4138

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Incoerências

Parece contraditório, e até algo estranho, que os generalistas consigam dar mais destaque à vitória do ciclista português Rui Costa, na 16ª etapa da 100ª edição da Volta à França, do que, propriamente, os três desportivos (A Bola, ainda assim, foi o menos mau) que têm óbvias responsabilidades na matéria.

Argumentarão, alguns, que se trata de uma escolha meramente comercial que compreende, por parte dos generalistas, o «aproveitamento» do feito do ciclista da Movistar para chamar a si a camada mais afecta às questões desportivas, enquanto para os especializados o futebol será sempre o produto mais rentável. Mesmo que o triunfo de Rui Costa, na mais importante prova do ciclismo do Mundo, esteja a competir com uma partida de cariz amigável frente a um adversário com pouca expressão no futebol mundial? Muito estranho mesmo….

Jornais 17-07-2013

Os jornais e as relações públicas

A primeira página de hoje do jornal A Bola foi, seguramente, concebida com o objectivo de conciliar dois pilares fundamentais: a componente informativa – com a confirmação de um «furo» publicado na edição de ontem (anúncio de Bruno Cortez como reforço do Benfica) –  e a valorização da  imagem institucional através de uma mini-campanha de relações públicas (ver imagem).

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A ditadura dos patrocinadores no futebol

Texto do provedor do leitor do Diário de Notícias (e redactor principal da Agência Lusa), Óscar Mascarenhas, sobre a ditadura dos patrocinadores no negócio do futebol: “NO MUNDO DO FUTEBOL, O FASCISMO NÃO PASSARÁ…TÃO DEPRESSA, À HISTÓRIA”

A ditadura do futebol

Publico - Sara Moreira

A Bola - Sara Moreira

Sara Moreira - Record

O Jogo - Sara Moreira

A atleta portuguesa Sara Moreira sagrou-se, Domingo (3 de Março 2013) campeã europeia dos 3000 metros em pista coberta em Gotemburgo. A vitória conquistado pela atleta do Maratona foi, inclusivamente, a única medalha de ouro alcançada por Portugal em toda a competição. Estavam, desta forma, reunidas todas as condições para uma cobertura mediática relevante (que, de facto, aconteceu).

Ainda assim, não deixa de ser interessante comparar a forma como os desportivos noticiaram o feito alcançado pela atleta natural de Santo Tirso nas suas primeiras páginas, em contraponto com o destaque atribuído pelo Público (que tem, obviamente, obrigações diferentes nesta matéria).

Poder-se-á dizer que Sara Moreira teve contra o si o facto de, no mesmo dia, o Benfica (clube com mais adeptos em Portugal) ter vencido o Beira-Mar e se ter isolado na liderança da tabela classificativa.

Contudo, é igualmente válido o argumento que defende que uma medalha de ouro é, por si só, mais relevante do que uma vitória sobre um adversário que está a 37 pontos de distância. Existem, seguramente, mais pontos de vista, assentes, por exemplo, em critérios editoriais, comerciais ou que ressalvam aspectos culturais inerentes a um país onde se respira futebol por todos os poros.

Seja como for, é evidente que Público e desportivos têm visões antagónicas sobre o assunto: a medalha de Sara Moreira é, para o generalista, incomparavelmente mais importante, enquanto a vitória do Benfica empurra o triunfo da portuguesa para as margens das primeiras páginas dos desportivos.

Conclui-se, então, sem pingo de surpresa, que os desportivos são, na sua essência, jornais que incidem actualidade futebolística rematados com pinceladas sobre modalidades. Ao invés, o Público assume-se, verdadeiramente, como generalista, reconhece o éxito e da-lhe destaque central. Quid juris

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O papel dos blogs

O blog Visão de Mercado, especializado no mercado de transferências do futebol europeu, concentrou, hoje, as atenções mediáticas ao anunciar, em primeira mão, que a contratação do avançado Marius Niculae, pelo Sporting Clube de Portugal, veiculada pela imprensa especializada mas, também, pela generalista, podia não concretizar-se porque o romeno já havia jogado em dois clubes esta temporada (Dínamo de Bucareste e Vaslui).

À partida, os responsáveis do blog não fizeram nada de especial: receberam a informação que as negociações estava em fase adiantada, investigaram, consultaram os regulamentos e concluíram que havia algo de errado (como publicaram aqui).

O insólito é que a descoberta apanhou toda a imprensa desprevenida (ninguém tinha feito o trabalho de casa), inclusivamente o clube que já tinha anunciado, no seu site oficial, a contratação do jogador (como pode ver aqui).

Começaram, então, a surgir, nas edições online, referências ao assunto, como fez aqui O Jogo ( e muito bem!), com a devida identificação do emissor original (mas nem todos tiveram a decência de fazer o mesmo).

A precedência aberta pelo excelente trabalho do Visão de Mercado levanta uma questão: que lugar ocupam os blogs no circuito informativo? Podem (ou não) ser considerados ciberjornais? Devem  limitar-se à condição de fonte, uma vez que não estão abrangidos por nenhuma conduta ética ou deontológica? Serão, apenas, os jornalistas personagens capazes de produzir conteúdos informativos credíveis?

São, seguramente, questões poucos consensuais tanto no campo profissional como no seio académico. Ainda assim, há uma certeza inquestionável: o Visão de Mercado cumpriu, na íntegra, as suas obrigações (com os leitores) ao percorrer todas(!) as etapas do labirinto noticioso. Seguramente também se debatem com os mesmos constrangimentos que os grandes grupos de media (falta de recursos), mas nem isso os impediu de serem profissionais de mão cheia. Bravo!