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Papa mediático

Pope

A chegada do Papa Bento VII à rede social twitter é, por si só, um facto noticioso relevante. Não só porque simboliza uma inflexão da Igreja Católica,  que vive embrulhada em processos burocráticos de credibilização da própria instituição, mas, acima de tudo, porque reconhece a amplitude dos social media.

Significativa acaba por ser, também, a escolha do meio, tendo em conta que o twitter apenas permite mensagens até um máximo de 14o caracteres. Depreende-se, portanto, que a ideia de Bento VII é aproximar a cúpula da Igreja dos fieis (mais de 500 000 seguidores em menos de 24 horas), numa tentativa de cativar novos seguidores, essencialmente nas faixas etárias mais jovens, através de mensagens curtas e directas.

Segundo anunciou o presidente do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, o arcebispo Claudio Maria Celli, as mensagens do Papa serão publicadas em oito idiomas (espanhol, inglês, italiano, português, alemão, polaco, árabe e francês), e sua santidade responderá, através da sua página oficial, a perguntas sobre a fé.

No entanto, Bento VII não se ficou apenas pela internet e, nos últimos dias, a Igreja  voltou a apresentar novidades na sua política de comunicação. Desta vez, Joseph Ratzinger, de 86 anos, vestiu a pele de cronista e escreveu um artigo de opinião no Financial Times( ler aqui), intitulado A time for Christians to engage with the world, onde alerta para necessidade de reflexão profunda durante a quadra natalícia.

Desta forma, o pontífice conquista mais um franja da audiência e assume-se como um verdadeiro estratega da gestão da comunicação capaz de fazer frente aos inúmeros ataques que a Igreja Católica tem vindo a sofrer.

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Jornalismo de corte e costura

As redes sociais são, actualmente, uma ferramenta indispensável para os jornalistas. Funcionam como uma espécie de quintal onde, mediante uma boa rede de contactos, se pode “colher” depoimentos, fotografias ou vídeos de perfis com visibilidade mediática.

É cada vez menos comum alguém estar totalmente desligado da corrente (offline). Acima de tudo, porque estas plataformas permitem interagir com um núcleo vasto (interminável) de indivíduos, sem custos directos e, mais importante, de forma instantânea.

É o sonho das marcas e das “vedetas” que encaram as redes sociais como um oasis de seguidores para quem partilham conteúdos em troca de uma centenas de “gostos” ou “comentários”.

Não estranha, por isso, que os jornalistas alimentem (e bem) os  media com recortes destas plataformas. Ainda assim, o recurso a estes meios deve ser um princípio e não um fim em sim mesmo.

Ou seja, como se ensina nos bancos das universidades, toda a informação carece de confirmação. Caso contrário, origina-se um caso de intoxicação informativa. (como sucedeu esta semana).

Salim Baungally, jornalista e apresentador da L Équipe TV, escreveu na sua página do twitter o seguinte: “Yo también meteria 90 goles se me regalaran penaltis como los arbitros relagan al Barça”, Zlatan Ibrahimovic.

Talvez impulsionados pela (aparente) credibilidade da fonte, toda a gente publicou a notícia que esteve em destaque nas edições online dos diversos órgão de informação (ver aqui).

Algumas horas depois, Miki Soria, jornalista do Sport (jornal com ligações ao Barcelona), deu-se ao trabalho de confirmar a citação, (sem espanto) verificou que era falsa e publicou no seu perfil: “Por si alguien aún no lo sabe, las declas de Ibrahimovic atacando a Messi tras su récord son falsas (aunq muchos medios lo hayan publicado)”.

Começaram, então, a chover desmentidos (como este), onde constava esta citação de Salim Baungally: “Je m’excuse si l’ironie n’a pas été compris dans mon propos sur Zlatan et les 90 buts, je me suis imaginé être à sa place…”.

Ninguém, no entanto, acusou o toque e fez meia culpa. É que, neste caso, não há réus: nem emissor nem difusores. Ser jornalista é muito mais do que fazer corte e costura. É fundamental contrapor, verificar, perguntar.

Por tudo isto, a publicação deve ser o último dos passos. Quando não o é todo o ciclo fica de pantanas.