Category Archives: Jornalismo Participativo

Cidadão em directo

Feed Twitter @plousinha

A tese do “Jornalismo de Cidadão”, ou “Jornalismo Participativo”, está longe de ser consensual. Há quem defenda que basta um computador com ligação à internet e uma câmara fotográfica (ou, simplesmente, um smartphone) para presenciar, in loco, um acontecimento e, em seguida, difundi-lo através das inúmeras ferramentas disponíveis.

Confesso que não me revejo nesta postura. O cerne da questão não está na (in)capacidade do cidadão anónimo servir de intermediário entre o leitor e o facto noticioso, mas, fundamentalmente, no domínio das técnicas jornalísticas, na obrigatoriedade de se reger por um código deontológico e no conhecimento da postura editorial do media que representa.

Não quer isto dizer, no entanto, que o cidadão tenha que ser banido do circuito mediático. Até porque é ele que assegura a existência dos media. É, realisticamente, impossível conceber um cenário em que os jornalistas são capazes de acompanhar tudo, principalmente num contexto em que as redacções estão presas por arames. Liberta-se,assim, um “espaço de ninguém” que pode (e deve) ser ocupado pelo leitor na qualidade fonte informativa.

Foi o que fez ( e bem!) a Patrícia: uma passageira que seguia a bordo do comboio Intercidades que chocou com um Regional, na Granja do Ulmeiro, em Soure, e que descreveu, ao minuto na sua página do twitter, o que presenciava. Foi uma espécie de ligação wireless entre a comunidade e o centro nevrálgico das operações.

A Patrícia cumpriu a sua missão ao alimentar os seus seguidores e ainda serviu de fonte para os jornais citarem nas suas edições online (como fez aqui o Jornal de Notícias). Já os leitores (ouvintes ou telespectadores) têm que ser alimentados por jornalistas sob pena de não existir qualquer diferença entre fonte e receptor. É por isso que o cidadão é sempre uma óptima fonte. Nunca jornalista!

Leitores reivindicam espaço

Um grupo de oito leitores/colunistas amadores juntou-se, pela primeira vez, na Casa da Música, no Porto, para debater o espaço disponível nos media para cidadãos activos exercerem a sua cidadania.

Aqui ficam as principais conclusões do encontro: “OS LEITORES DEVEM TER MAIS VEZ E MAIS VOZ NOS JORNAIS”

Jornalismo de fotolegenda

Será o jornalismo do futuro, na sua essência, uma sequência de fotolegendas? O artigo PHOTOGRAPHERS WILL SOON BE THE MOST VALUABLE PEOPLE IN THE NEWSROOM,  publicado na BUSINESS INSIDER, considera que os conteúdos mais consumidos não são textos, mas fotografias capturadas, na sua maioria, pelos cidadãos.

Fica a questão: poderão as redacções viver sem jornalistas?