Monthly Archives: January 2013

O papel dos blogs

O blog Visão de Mercado, especializado no mercado de transferências do futebol europeu, concentrou, hoje, as atenções mediáticas ao anunciar, em primeira mão, que a contratação do avançado Marius Niculae, pelo Sporting Clube de Portugal, veiculada pela imprensa especializada mas, também, pela generalista, podia não concretizar-se porque o romeno já havia jogado em dois clubes esta temporada (Dínamo de Bucareste e Vaslui).

À partida, os responsáveis do blog não fizeram nada de especial: receberam a informação que as negociações estava em fase adiantada, investigaram, consultaram os regulamentos e concluíram que havia algo de errado (como publicaram aqui).

O insólito é que a descoberta apanhou toda a imprensa desprevenida (ninguém tinha feito o trabalho de casa), inclusivamente o clube que já tinha anunciado, no seu site oficial, a contratação do jogador (como pode ver aqui).

Começaram, então, a surgir, nas edições online, referências ao assunto, como fez aqui O Jogo ( e muito bem!), com a devida identificação do emissor original (mas nem todos tiveram a decência de fazer o mesmo).

A precedência aberta pelo excelente trabalho do Visão de Mercado levanta uma questão: que lugar ocupam os blogs no circuito informativo? Podem (ou não) ser considerados ciberjornais? Devem  limitar-se à condição de fonte, uma vez que não estão abrangidos por nenhuma conduta ética ou deontológica? Serão, apenas, os jornalistas personagens capazes de produzir conteúdos informativos credíveis?

São, seguramente, questões poucos consensuais tanto no campo profissional como no seio académico. Ainda assim, há uma certeza inquestionável: o Visão de Mercado cumpriu, na íntegra, as suas obrigações (com os leitores) ao percorrer todas(!) as etapas do labirinto noticioso. Seguramente também se debatem com os mesmos constrangimentos que os grandes grupos de media (falta de recursos), mas nem isso os impediu de serem profissionais de mão cheia. Bravo!

TVI antecipa jornalismo do futuro

A TVI , canal televisivo que integra o grupo Media Capital, prepara-se para comemorar o seu 20º aniversário, assinalado a 20 de Fevereiro, como uma reflexão sobre o futuro do jornalismo. Para o efeito, a televisão líder de audiências em Portugal resolveu convidar especialistas nacionais e internacionais para perspectivarem a actividade no futuro.

Mais informações clique aqui: TVI MARCA 20 ANOS COM REFLEXÃO SOBRE O FUTURO DO JORNALISMO

Jornalismo cooperante

O The Guardian, um dos principais jornais de referência do Reino Unido, resolveu  colaborar com o Governo Britânico – que planeia restringir a estrada de emigrantes romenos – sugerindo aos leitores que colaborarem na campanha.

Aqui estão os resultados: RUMANOS Y BÚLGAROS, NOT WELCOME 

Jovens jornalistas lançam Plural&Singular

Um grupo de jovens jornalistas, naturais de Guimarães, criou com um novo projecto editorial, denominado PLURAL&SINGULAR, que está disponível online com objectivo “colocar na rota da comunicação social nacional a área da deficiência”.

A Plural&Singular arrancou em Dezembro de 2012 e, ao longo da sua primeira edição, de sensivelmente 100 páginas, faz um périplo pelo mundo da deficiência contemplando secções como desporto, cultura, saúde e bem-estar, tecnologia e inovação.

Guerra de jornais

Jornal da Madeira

Há imenso tempo (seguramente demasiado) que o Jornal da Madeira, tutelado pelo Governo Regional, e o Diário de Notícias da Madeira, pertencente ao grupo Controlinveste, andam numa autêntica guerra aberta. É rara a semana em que as «portadas» não aparecem recheadas de piropos (alguns, refira-se, reveladores de pouca elegância), ataques, processos judiciais ou queixas à Entidade Reguladora.

A julgar pela argumentação, ambos terão, porventura, ponta de razão do seu lado. No entanto, enquanto o tratado de paz (nem que seja podre) não é assinado, os principais prejudicados são, obviamente, os leitores (de um e de outro). As energias gastas no conflito bélico podiam, e deveriam, ser canalizadas para o que realmente importa: informar. Todavia, dia após dia, os conteúdos ficam mais pobres, com mais erros, alguns, inclusivamente, graves sob o ponto de vista conceptual, o que desvaloriza não só o título, mas, também, quem lá trabalha.

Os jornais não são, nem têm que ser, instrumentos de arremesso político. É por isso que desempenham um papel importante nas sociedades democráticas e, ainda mais, quando a perspectiva de análise é local ou regional. Aí a ligação com o target é mais próxima e comprometimento com a missão total: informar já dá trabalho que chegue, por isso ignore-se o resto.

Conflito de interesses

O jornalismo desportivo é, muitas vezes, posto em causa por anunciar tudo e o seu contrário, por misturar opinião com informação e, sobretudo, por estar demasiado colado ao entretenimento. Mas há mais: veja-se, por exemplo, o caso da mais célebre jornalista de Espanha: Sara Carbonero.

São vários os episódios, no mínimo, constrangedores na ainda curta carreira da espanhola, mas, talvez, o mais mediático seja o beijo a Iker Casillas (seu namorado) depois da final do Mundial da África do Sul.

Ainda assim, Carbonero não pára de surpreender: um dia antes do clássico entre Real Madrid e Barcelona, a jornalista da Telecinco surgiu a comentar a actualidade do emblema madrileno e confirmou uma quebra no balneário entre José Mourinho e os jogadores.

O episódio não teria nada de espectacular, não fosse a apresentadora a actual companheira do capitão e guarda-redes do…. Real Madrid(!), o que, convenhamos, cria um, enorme, conflito de interesses.

Ainda assim, a culpa não é, unica e exclusivamente, de Sara. Quem a coloca perante semelhante constrangimento não pode ficar inocente. Até porque dá a sensação que, mais importante do que todas as condutas éticas e deontológicas,  são as audiências. E o bom-senso que se dane.

Liberdade de Imprensa

Portugal ocupa a 28ª posição (subida de cinco lugares relativamente a 2011) no índice de liberdade de imprensa em 2012, anunciou a Repórteres Sem Fronteiras no seu RELATÓRIO ANUAL DE LIBERDADE DE IMPRENSA, divulgado esta semana.

Finlândia, Holanda e Noruega ocupam os três primeiros lugares. Em sentido contrário, a situação continua deplorável em países como Tunísia e Egipto, provando que a Primavera Árabe não conduziu, para já, a melhorias  na liberdade de imprensa no Médio Oriente e no Magrebe.

Independência

A France Football, provavelmente a mais conceituada publicação desportiva da Europa, estabeleceu, em 2010, uma parceria com a FIFA para atribuição e entrega dos prémios «Bola de Ouro». No entanto, nem isso impediu a revista francesa de investigar, primeiro, e denunciar, depois, a compra de votos pelo Catar para ganhar o direito de organizar o Mundial’2022, num caso que apelidou de «Catargate» (uma referência ao escândalo político «Watergate», que, na década de 1970, culminou com a renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon devido a acusações de corrupção).

Ao longo da reportagem especial, que ocupa, sensivelmente, 20 páginas, denuncia a corrupção e os petrodólares que terão estado na base da atribuição do Mundial de 2022 ao Catar e ninguém escapa à mira da France Football: desde Joseph Blatter (presidente da FIFA), Michel Platini (presidente da UEFA) e, ainda, Nicolas Sarkozy (presidente francês entre 2007-2012).

A postura da France Football, pese embora todos os constrangimentos, é uma lição de independência e rigor que deve servir de referência para outras publicações que vivem emaranhadas em teias pouco claras. A ligação de confiança, entre meios e leitores, mantém-se quando todos sabem fazer o seu trabalho. E é deste jornalismo, sério e independente, que todos precisamos.

Via: Bruno Prata

Modelos de negócio em Ciberjornalismo

A Dissertação de Mestrado “Novos modelos de negócio para a imprensa online: o modelo premium no Publico.pt, no ElPaís.com e no NYTimes.com” (Mestrado em Jornalismo, Comunicação e Cultura da Escola Superior de Educação de Portalegre), da autoria de Ângela da Conceição Mendes, procura “conhecer as hipóteses que estão a ser trabalhadas e perceber que caminhos trilham, de momento, os jornais na sua migração para o online”.

Via: Pedro Jerónimo

Credibilidade II

Depois do El País ter publicado uma fotografia falsa de Hugo Chávez (ver aqui), o redactor-chefe multimédia do El MundoAngel Casaña, esclarece o porquê de o seu jornal ter decidido não avançar com a publicação ao contrário do que fez o seu principal concorrente. Um tiro em cheio no porta-aviões do principal rival.

Ler aqui: DE FOTOS QUE NO SON Y PERIÓDICOS QUE LAS PUBLICAN

Via: António Granado