Monthly Archives: March 2013

A ditadura dos patrocinadores no futebol

Texto do provedor do leitor do Diário de Notícias (e redactor principal da Agência Lusa), Óscar Mascarenhas, sobre a ditadura dos patrocinadores no negócio do futebol: “NO MUNDO DO FUTEBOL, O FASCISMO NÃO PASSARÁ…TÃO DEPRESSA, À HISTÓRIA”

Webperiodismo en un ecosistema líquido

Livro sobre o estado do ciberjornalismo conta com a colaboração do docente do departamento de Comunicação e Arte da Universidade da Beira Interior, João Canavilhas, que assina o artigo «CONTENIDOS PERIODÍSTICOS EN EL ECOSISTEMA LÍQUIDO: ENTRE LÁ CONVERGENCIA Y LA DIVERGÊNCIA».

Download gratuíto: WEBPERIODISMO EN UN ECOSISTEMA LÍQUIDO

Publicidade massiva

Campanha Vodafone - Red

A Vodafone pintou, hoje, toda a imprensa de vermelho (ver foto) numa acção promocional de apresentação no seu novo tarifário RED e que resultou num investimento de 14 milhões de euros.

Do lado da marca o timing foi perfeito. Ao ponto de ter sido conotada  por pessoas menos atentas, com a morte de Hugo Chávez. Para os jornais acaba por ser uma lufada de ar fresco numa altura em que os media se debatem com grandes fragilidades económicas e financeiras.

No entanto, esta situação levanta uma questão pertinente: estarão os jornais a rebaixar-se a interesses comerciais, num acto desesperado de sobrevivência, perdendo a  independência necessária para desempenharem bem as suas funções?

Futebol: informação ou entretenimento?

A TVI, televisão detentora dos direitos de transmissão da Liga dos Campeões, escalou, para o Manchester UnitedReal Madrid, uma equipa formada por dois comentadores, Pedro Barbosa e Dani (ambos ex-futebolistas), e um narrador, Pedro Ribeiro (animador da Rádio Comercial).

A questão em torno da equipa escalada para o jogo não se centra, como é obvio, na escolha das figuras encarregues de comentar o jogo, até porque são profundos conhecedores do fenómeno, mas na entrega do papel de narrador a um  não-jornalista que, poucas horas antes, num programa de rádio, aconselha a audiência a ser cliente da  TMN e a consumir  Kit Kat.

A situação é particularmente complexa se se tiver em linha de conta que, à semelhança do que acontece na imprensa, num relato de futebol, o narrador é uma espécie de primeiro filtro dos olhos do telespectador. É, por isso, uma função que exige rigor, distanciamento e isenção, até porque está umbilicalmente ligada a valores éticos e deontológicos fortes.

«O exercício da profissão de jornalista é incompatível com o desempenho de Funções de angariação, concepção ou apresentação de mensagens publicitárias».

Interessa, neste enquadramento, clarificar se a narração de um jogo de futebol, seja em rádio ou televisão, deve, ou não, constituir matéria de cariz informativa.

A questão, sublinhe-se, não é recente e tem origem na constituição das primeiras redacções em Portugal. À data, como é fácil imaginar, não se falava em jornalismo especializado, como se faz hoje, e o noticiário de desporto vivia, essencialmente, de colaborações externas, a maioria proveniente dos próprios desportistas que queriam divulgar os seus feitos individuais ou colectivos.

Sobretudo por isto, os profissionais que acompanhavam desporto não tinham lugar nas redacções, como as restantes editorias (política, economia,  etc.) , nem, tão pouco, eram considerados jornalistas. Limitavam-se a ser uma espécie de apêndices da redacção.

O paradigma, entretanto, alterou-se, mas o preconceito ainda permanece. Em menor dimensão, é certo, mas está longe de estar extinto. Para a mudança em muito contribuiu o papel que o futebol (a reboque dos clubes) foi conquistando na sociedade civil.

Tanto que, actualmente, quem tem futebol tem, automaticamente, números garantidos (vendas, audiências ou visitas). No entanto, esta massificação do noticiário desportivo acarretou consigo a responsabilidade de corresponder às exigências de uma audiência, normalmente entendida na matéria, e levou à especialização profunda dos jornalistas de desporto.

Até porque hoje um jogo de futebol é muito mais do que uma bola e onze jogadores: tem um enquadramento, equipas com identidades próprias, jogadores com uma história atrás de si, treinadores, evoluções tácticas e ligações comerciais. Tudo isto é demasiada informação para se considerar um mero produto de entretenimento.

Enhanced by Zemanta

A ditadura do futebol

Publico - Sara Moreira

A Bola - Sara Moreira

Sara Moreira - Record

O Jogo - Sara Moreira

A atleta portuguesa Sara Moreira sagrou-se, Domingo (3 de Março 2013) campeã europeia dos 3000 metros em pista coberta em Gotemburgo. A vitória conquistado pela atleta do Maratona foi, inclusivamente, a única medalha de ouro alcançada por Portugal em toda a competição. Estavam, desta forma, reunidas todas as condições para uma cobertura mediática relevante (que, de facto, aconteceu).

Ainda assim, não deixa de ser interessante comparar a forma como os desportivos noticiaram o feito alcançado pela atleta natural de Santo Tirso nas suas primeiras páginas, em contraponto com o destaque atribuído pelo Público (que tem, obviamente, obrigações diferentes nesta matéria).

Poder-se-á dizer que Sara Moreira teve contra o si o facto de, no mesmo dia, o Benfica (clube com mais adeptos em Portugal) ter vencido o Beira-Mar e se ter isolado na liderança da tabela classificativa.

Contudo, é igualmente válido o argumento que defende que uma medalha de ouro é, por si só, mais relevante do que uma vitória sobre um adversário que está a 37 pontos de distância. Existem, seguramente, mais pontos de vista, assentes, por exemplo, em critérios editoriais, comerciais ou que ressalvam aspectos culturais inerentes a um país onde se respira futebol por todos os poros.

Seja como for, é evidente que Público e desportivos têm visões antagónicas sobre o assunto: a medalha de Sara Moreira é, para o generalista, incomparavelmente mais importante, enquanto a vitória do Benfica empurra o triunfo da portuguesa para as margens das primeiras páginas dos desportivos.

Conclui-se, então, sem pingo de surpresa, que os desportivos são, na sua essência, jornais que incidem actualidade futebolística rematados com pinceladas sobre modalidades. Ao invés, o Público assume-se, verdadeiramente, como generalista, reconhece o éxito e da-lhe destaque central. Quid juris

Enhanced by Zemanta