Fantasmas da imprensa desportiva

É comummente aceite, tanto na comunidade científica como na praça pública, que a imprensa especializada em desporto, vulgarmente denominada imprensa desportiva, convive com diversos demónios: uso e abuso de fontes anónimas, dilemas editoriais/comerciais, diferenças de tratamento entre instituições (clubes), textos redondos e, talvez o mais grave, pouca fiabilidade noticiosa.

Relativamente a outras editorias (economia, política, etc.) é incomparavelmente maior o número de notícias que não se confirmam (logo, não-notícias) e que, inclusivamente, chegam a receber honras de primeira página.

Para agravar todo o cenário, os leitores deparam-se, ainda, com diferenças abismais na análise objectiva (tendo em conta que existem imagens e regras que penalizam as infracções) dos lances problemáticos dos jogos de futebol.

Senão, veja-se as diferentes posições relativamente aos dois lances de grande penalidade no clássico disputado ontem entre Futebol Clube do Porto e Sporting Clube de Portugal:

Jornal A Bola: “Ia muito bem a arbitragem quando Jorge Sousa decidiu que o Sporting haveria de ter razão nalgum ponto do seu festival de protestos… E deu-lhe pormaior: no penalty ao minuto 83, o que houve foi teatro de Martínez“.

Jornal Record:  “(o árbitro) está muito bem posicionado nos dois lances mais polémicos do jogo e não se pode dizer que tenha ajuizado mal nas duas grandes penalidades que assinalou”.

Jornal O Jogo: “Tribunal (composto por três (ex-árbitros) especialistas em arbitragem) unânime: penálti por mão de Cédric (o 1º) mal marcado”.

Não existe nenhum (!) ponto de contacto entre posições dos três desportivos portugueses. Afinal, em que é que ficamos?

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