Cidadão em directo

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A tese do “Jornalismo de Cidadão”, ou “Jornalismo Participativo”, está longe de ser consensual. Há quem defenda que basta um computador com ligação à internet e uma câmara fotográfica (ou, simplesmente, um smartphone) para presenciar, in loco, um acontecimento e, em seguida, difundi-lo através das inúmeras ferramentas disponíveis.

Confesso que não me revejo nesta postura. O cerne da questão não está na (in)capacidade do cidadão anónimo servir de intermediário entre o leitor e o facto noticioso, mas, fundamentalmente, no domínio das técnicas jornalísticas, na obrigatoriedade de se reger por um código deontológico e no conhecimento da postura editorial do media que representa.

Não quer isto dizer, no entanto, que o cidadão tenha que ser banido do circuito mediático. Até porque é ele que assegura a existência dos media. É, realisticamente, impossível conceber um cenário em que os jornalistas são capazes de acompanhar tudo, principalmente num contexto em que as redacções estão presas por arames. Liberta-se,assim, um “espaço de ninguém” que pode (e deve) ser ocupado pelo leitor na qualidade fonte informativa.

Foi o que fez ( e bem!) a Patrícia: uma passageira que seguia a bordo do comboio Intercidades que chocou com um Regional, na Granja do Ulmeiro, em Soure, e que descreveu, ao minuto na sua página do twitter, o que presenciava. Foi uma espécie de ligação wireless entre a comunidade e o centro nevrálgico das operações.

A Patrícia cumpriu a sua missão ao alimentar os seus seguidores e ainda serviu de fonte para os jornais citarem nas suas edições online (como fez aqui o Jornal de Notícias). Já os leitores (ouvintes ou telespectadores) têm que ser alimentados por jornalistas sob pena de não existir qualquer diferença entre fonte e receptor. É por isso que o cidadão é sempre uma óptima fonte. Nunca jornalista!

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