Independência

A France Football, provavelmente a mais conceituada publicação desportiva da Europa, estabeleceu, em 2010, uma parceria com a FIFA para atribuição e entrega dos prémios «Bola de Ouro». No entanto, nem isso impediu a revista francesa de investigar, primeiro, e denunciar, depois, a compra de votos pelo Catar para ganhar o direito de organizar o Mundial’2022, num caso que apelidou de «Catargate» (uma referência ao escândalo político «Watergate», que, na década de 1970, culminou com a renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon devido a acusações de corrupção).

Ao longo da reportagem especial, que ocupa, sensivelmente, 20 páginas, denuncia a corrupção e os petrodólares que terão estado na base da atribuição do Mundial de 2022 ao Catar e ninguém escapa à mira da France Football: desde Joseph Blatter (presidente da FIFA), Michel Platini (presidente da UEFA) e, ainda, Nicolas Sarkozy (presidente francês entre 2007-2012).

A postura da France Football, pese embora todos os constrangimentos, é uma lição de independência e rigor que deve servir de referência para outras publicações que vivem emaranhadas em teias pouco claras. A ligação de confiança, entre meios e leitores, mantém-se quando todos sabem fazer o seu trabalho. E é deste jornalismo, sério e independente, que todos precisamos.

Via: Bruno Prata

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