O entupimento das televisões

As televisões portuguesas – todas, sem excepção – viveram o desaparecimento de Eusébio da Silva Ferreira com uma intensidade assinalável, bem patente, aliás, na reformatação das respectivas grelhas de programação  que tinha como objectivo oferecer, a quem acompanhava à distância, todos os pormenores das cerimónias fúnebres do ‘Pantera Negra’.

Aquilo que seria uma atenção mediática especial, totalmente justificável, transformou-se num chorrilho de directos sem sentido, entrelaçados com debates desorientados e imagens da vida de Eusébio repetidas até à exaustão.

Toda a gente exibiu a receita e pões-se de lado o resto da actualidade. Resultam, precisamente daqui, dois textos interessantíssimos sobre as opções das televisões portuguesas que podem (e devem) ser vistos como uma espécie de guia para o que não se deve voltar a repetir.

«Dir-se-ia que os responsáveis de emissão não se apercebem da cacofonia que representa para os telespectadores em geral terem todos os canais, durante um dia inteiro (e amanhã se verá) a ouvir o mesmo dito pelos mesmos».

Disponível em:  Sobre as televisões, na morte de Eusébio

«Foram directos sobre directos, com muitas lágrimas, muita comoção e muitas opiniões sem interesse nenhum, ou repetições de imagens e declarações que os portugueses puderam ver em doses cavalares ao longo de horas e horas, fazendo de Eusébio um homem único sem o qual Portugal não teria existido. E transformando todos os canais numa espécie de “Benfica TV”».

Disponível em:  A morte de Eusébio e a informação televisiva

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