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A origem do tablóidismo britânico

O antigo editor do News of the World e do Daily Mirror, Piers Morgan, encabeça a produção de uma série televisiva que incidirá sobre o mundo do jornalismo de tablóide na década de 70.

Fleet Streetrua onde estiveram sediadas, até à década de 80, as redacções dos principais jornais ingleses (entre eles os tablóides) – relata o surgimento do jornalismo popular moderno, cuja génese remonta à acção de profissionais desprovidos de moral que expunham a vida de milionários, políticos e celebridades envolvidos com drogas e/ou escândalos sexuais.

Para ler aqui: Oh no! Piers Morgan to produce ‘devastating’ Fleet Street TV series

Credibilidade II

Depois do El País ter publicado uma fotografia falsa de Hugo Chávez (ver aqui), o redactor-chefe multimédia do El MundoAngel Casaña, esclarece o porquê de o seu jornal ter decidido não avançar com a publicação ao contrário do que fez o seu principal concorrente. Um tiro em cheio no porta-aviões do principal rival.

Ler aqui: DE FOTOS QUE NO SON Y PERIÓDICOS QUE LAS PUBLICAN

Via: António Granado

Credibilidade

O El País publica, na sua “portada” de hoje, uma fotografia exclusiva ( mas falsa) do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, entubado num hospital em Cuba – onde continua a receber tratamento médico.

Mais tarde, já em consciência do erro, o jornal publicou, no seu portal, uma nota explicando a sucedido, suspendeu a distribuição e procedeu à expedição de uma nova edição para os pontos de venda.

Espantoso (no mínimo) é verificar que, no texto que acompanha a foto mentirosa, o El País avisa que “”não tinha conseguido verificar de forma independente as circunstâncias, o local e a data em que a foto tinha sido feita”. Arriscado, no mínimo.

É certo que a crise dos media não é um problemas exclusivamente português e que, por isso, as limitações nas redacções são cada vez maiores. No entanto, o cruzamento e (re)verificação de informação, por mais credível que seja a fonte, é um procedimento básico para qualquer órgão de informação.

Como defende Rosental Calmon Alves, professor de jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro: “É perfeitamente legítimo querer ser o primeiro, mas primeiro é preciso estar correcto”.

PS – Soube-se, já de manhã, através do twitter director do El Mundo (principal concorrente do El País), que também tentaram vender a foto ao jornal que dirige. “”Ah, ontem quiseram vender-nos uma foto de Chávez entubado. Dissemos não. Quando a vemos noutro meio já sabemos se acertámos”, escreveu Pedro J. Ramírez.

Bastidores de uma televisão

A série “The Newsroom”, produzida por Aaron Sorkin, é um óptimo exemplo do bom trabalho que ainda se faz em televisão. Centrando-se no dia-a-dia nos bastidores de uma estação de televisão de cariz informativo, retrata, com um realismo que quase nos faz esquecer que se trata de ficção, os obstáculos pessoais, éticos, corporativos e financeiros com que se debatem grande parte dos  jornalistas no seu quotidiano.

Ao longo da primeira temporada o telespectador tem, ainda, a oportunidade de acompanhar, detalhadamente, uma profunda reformulação editorial em busca da vitória na guerra de audiências.

Clique aqui para ver a apresentação: The Newsroom Season 1- Trailer #1

Cidadão em directo

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A tese do “Jornalismo de Cidadão”, ou “Jornalismo Participativo”, está longe de ser consensual. Há quem defenda que basta um computador com ligação à internet e uma câmara fotográfica (ou, simplesmente, um smartphone) para presenciar, in loco, um acontecimento e, em seguida, difundi-lo através das inúmeras ferramentas disponíveis.

Confesso que não me revejo nesta postura. O cerne da questão não está na (in)capacidade do cidadão anónimo servir de intermediário entre o leitor e o facto noticioso, mas, fundamentalmente, no domínio das técnicas jornalísticas, na obrigatoriedade de se reger por um código deontológico e no conhecimento da postura editorial do media que representa.

Não quer isto dizer, no entanto, que o cidadão tenha que ser banido do circuito mediático. Até porque é ele que assegura a existência dos media. É, realisticamente, impossível conceber um cenário em que os jornalistas são capazes de acompanhar tudo, principalmente num contexto em que as redacções estão presas por arames. Liberta-se,assim, um “espaço de ninguém” que pode (e deve) ser ocupado pelo leitor na qualidade fonte informativa.

Foi o que fez ( e bem!) a Patrícia: uma passageira que seguia a bordo do comboio Intercidades que chocou com um Regional, na Granja do Ulmeiro, em Soure, e que descreveu, ao minuto na sua página do twitter, o que presenciava. Foi uma espécie de ligação wireless entre a comunidade e o centro nevrálgico das operações.

A Patrícia cumpriu a sua missão ao alimentar os seus seguidores e ainda serviu de fonte para os jornais citarem nas suas edições online (como fez aqui o Jornal de Notícias). Já os leitores (ouvintes ou telespectadores) têm que ser alimentados por jornalistas sob pena de não existir qualquer diferença entre fonte e receptor. É por isso que o cidadão é sempre uma óptima fonte. Nunca jornalista!