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Pedro J. Ramírez deixa El Mundo

Pedro J. Ramírez  vai deixar de ocupar a cadeira de director do El Mundo, o segundo jornal espanhol com maior número de vendas em banca, depois de 25 anos à frente dos destinos do título que ajudou a fundar.

Segundo a Reuters, a demissão de Ramírez estará relacionada com a postura editorial crítica para com o governo de Mariano Rajoy. O El Mundo será, a partir de hoje, dirigido por Casimiro García-Abadillo.

«Informar de lo que ocurre sin sesgos, con compromiso y rigor pero también con humildad, sin aspiraciones mesiánicas ni intereses empresariales, esto es lo que ahora me motiva. Algo muy distinto a lo que llevo haciendo».

https://twitter.com/MDiaz_elmundo/status/428945369381470208/photo/1

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O malabarismo das pressões

O Banco Espírito Santo não gostou que o jornal I andasse a escarafunchar vários processos que envolvem altos quatros do grupo e reagiu de forma grosseira tentando lembrar que é um dos principais suportes dos jornais portugueses.

É mais que sabido que o mercado publicitário está em queda e que o I, desde a sua fundação, tem passado por sucessivas remodelações que levaram à mudança de mãos, no ano passado, e à dispensa recente de vários profissionais .

Apesar de estar e encarar um dos grandes clientes dos media portugueses, o I não se encolheu sustentando a sua posição com as responsabilidades editoriais que tem para com os leitores.

A escolha era simples: ou salvaguardavam-se algumas páginas de publicidade e atirava-se a «estória» para debaixo da secretária, ou prevalecia a ligação de confiança com que todos os dias compra o jornal.

Prevaleceu a segunda opção com óbvio prejuízo para as finanças da empresa. Ainda assim, manteve-se o eleitorado fiel. E é ele o principal activo de qualquer projecto de media.

A direcção do jornal i não se deixa intimidar com o poder económico e publicitário do BES e continuará a garantir o direito de informar e a acompanhar toda a informação que os seus jornalistas recolham com profissionalismo, isenção e respeito pelo nosso código deontológico

Nota da direcção do jornal I: O BES não pode esperar que os jornalistas deixem de exercer a sua profissão