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As redes sociais em 2014

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Cidadão em directo

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A tese do “Jornalismo de Cidadão”, ou “Jornalismo Participativo”, está longe de ser consensual. Há quem defenda que basta um computador com ligação à internet e uma câmara fotográfica (ou, simplesmente, um smartphone) para presenciar, in loco, um acontecimento e, em seguida, difundi-lo através das inúmeras ferramentas disponíveis.

Confesso que não me revejo nesta postura. O cerne da questão não está na (in)capacidade do cidadão anónimo servir de intermediário entre o leitor e o facto noticioso, mas, fundamentalmente, no domínio das técnicas jornalísticas, na obrigatoriedade de se reger por um código deontológico e no conhecimento da postura editorial do media que representa.

Não quer isto dizer, no entanto, que o cidadão tenha que ser banido do circuito mediático. Até porque é ele que assegura a existência dos media. É, realisticamente, impossível conceber um cenário em que os jornalistas são capazes de acompanhar tudo, principalmente num contexto em que as redacções estão presas por arames. Liberta-se,assim, um “espaço de ninguém” que pode (e deve) ser ocupado pelo leitor na qualidade fonte informativa.

Foi o que fez ( e bem!) a Patrícia: uma passageira que seguia a bordo do comboio Intercidades que chocou com um Regional, na Granja do Ulmeiro, em Soure, e que descreveu, ao minuto na sua página do twitter, o que presenciava. Foi uma espécie de ligação wireless entre a comunidade e o centro nevrálgico das operações.

A Patrícia cumpriu a sua missão ao alimentar os seus seguidores e ainda serviu de fonte para os jornais citarem nas suas edições online (como fez aqui o Jornal de Notícias). Já os leitores (ouvintes ou telespectadores) têm que ser alimentados por jornalistas sob pena de não existir qualquer diferença entre fonte e receptor. É por isso que o cidadão é sempre uma óptima fonte. Nunca jornalista!

Papa mediático

Pope

A chegada do Papa Bento VII à rede social twitter é, por si só, um facto noticioso relevante. Não só porque simboliza uma inflexão da Igreja Católica,  que vive embrulhada em processos burocráticos de credibilização da própria instituição, mas, acima de tudo, porque reconhece a amplitude dos social media.

Significativa acaba por ser, também, a escolha do meio, tendo em conta que o twitter apenas permite mensagens até um máximo de 14o caracteres. Depreende-se, portanto, que a ideia de Bento VII é aproximar a cúpula da Igreja dos fieis (mais de 500 000 seguidores em menos de 24 horas), numa tentativa de cativar novos seguidores, essencialmente nas faixas etárias mais jovens, através de mensagens curtas e directas.

Segundo anunciou o presidente do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, o arcebispo Claudio Maria Celli, as mensagens do Papa serão publicadas em oito idiomas (espanhol, inglês, italiano, português, alemão, polaco, árabe e francês), e sua santidade responderá, através da sua página oficial, a perguntas sobre a fé.

No entanto, Bento VII não se ficou apenas pela internet e, nos últimos dias, a Igreja  voltou a apresentar novidades na sua política de comunicação. Desta vez, Joseph Ratzinger, de 86 anos, vestiu a pele de cronista e escreveu um artigo de opinião no Financial Times( ler aqui), intitulado A time for Christians to engage with the world, onde alerta para necessidade de reflexão profunda durante a quadra natalícia.

Desta forma, o pontífice conquista mais um franja da audiência e assume-se como um verdadeiro estratega da gestão da comunicação capaz de fazer frente aos inúmeros ataques que a Igreja Católica tem vindo a sofrer.

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